/ ruído branco /

Sentimento paradoxal
Longe do poder vil
A insegurança e a insistência 
Latejam em minha cabeça ao ponto de não sobrar mais consciência.

Traço um ponto na sobrevivência 
Cruzo uma reta no medo
Na dor, na sede, é um sentimento fora da rede
Maturando dia e noite
Do ontem, amadurecendo e saindo do verde.
A meia noite o relógio dispara
O quarto se desprende em luzes
Pulsações aos olhos da cara
No fundo do poço 
O buraco é fundo
O fundo é o fim do mundo
O mundo é rotundo
O mundo é imundo
O buraco é oriundo do profundo
O mundo vira fim em um segundo.

Paira o silêncio 
Para o tempo
O tempo para no instante momento
O alarme dispara e o sonho voa disparando no vento
O inconsciente diz para
Tudo vira um só elemento.

O universo separa
Muros bloqueando pensamentos
O futuro prepara
O anseio de passos sublimes e lentos.

O sal, o sol, o cio no sul. 
O céu se disfarça de azul
O demônio carranca no corpo
O canto calado do corvo
O cru sorriso do estorvo
O último grito de socorro
O sangue escorrendo no morro.

O som, o fiel dono do dom.
O cartel em chamas 
O mundo na lama
A base de grana
A lei é profana
A quem tu enganas?

A mim
A morte
Amor?

Dor no desdém
Amor no desamor
Favor no desfavor.

O silêncio ensurdecedor.

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