/ o olho e a tinta /

dois corpos deitados no chão 
nus, quentes
feito cadáveres monstrengos japoneses
de filmes cult.

o amor é um filme cult
é cinema de arte vanguarda jogada no lixo
da indústria. 
o amor é a indústria.
é a dor sociológica que paira as cabeças 
que fluem o engarrafamento mor das nossas dores.
e enquanto o dilema evapora
mais um corte.
meu amor parou na zona norte.

deu teto preto.
e todas as cores.
e todos os erros.
e até parece que a coisa é a mesma.

dois corpos deitados no chão.
traçados, pintados.
como num cenário pós apocalíptico - apenas a aurora dos dias.
espalhada, a tinta pelo quarto
já não há mais distinção 
sobre o que é vermelho ou azul.

já não há mais direção 
do que é arte e o que é sentido.
do que é realidade
em um choque colorido.
tudo é mágico 
no tocar dos limites, tudo é mágico. 
tudo é plástico, tudo é trágico 
e se desfaz no letárgico.

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