/ soneto do desemprego /

E qual seria o destino de minha vida?
Inócuo, parte de mim, doce mistério
Fico em pedaços, é o estigma da partida
Doces memórias que ficam, sentido etéreo.

E ninguém diz pra mim o caminho
Ebulição da alma, algo em mim transborda
Caio desforme, andando sozinho
Por entre os choques, o medo, a corda.

Em mim se faz o silêncio
O sorriso, tudo no que nele irradia
E tanto faz.

Do silêncio, transformo, faço então ruído
Que permeia pelas ruas, por toda cidade
E algo mais.

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